IDE Social Hub

Referência

Glossário

Os termos que aparecem em quase todos os documentos de estratégia, definidos com precisão — e com a distinção que evita o erro mais comum em cada um.

Definições

Age-friendly

Diz-se de uma organização cujos processos de recrutamento, desenvolvimento, progressão e saída funcionam para pessoas em qualquer fase da vida ativa. Em português usa-se também «amiga da idade».

Existe uma referência normativa internacional para o conceito aplicado ao trabalho: a ISO 25550:2022, sobre força de trabalho inclusiva na idade.

Não confundir: Não é um conjunto de benefícios dirigidos a trabalhadores mais velhos. É desenho organizacional que remove barreiras de idade em ambos os extremos — incluindo as que afetam os mais jovens.

Ver também:Empresas age-friendly

DEI

Sigla de Diversidade, Equidade e Inclusão. Designa o conjunto de políticas, práticas e indicadores com que uma organização gere a composição das suas equipas e as condições de participação de cada pessoa.

As três palavras não são sinónimos e não se substituem: a diversidade descreve quem está presente, a equidade descreve as condições de acesso, e a inclusão descreve a experiência de quem já está dentro.

Não confundir: DEI não é comunicação institucional. Uma organização pode comunicar diversidade sem a ter, e pode ter diversidade sem inclusão — são medições diferentes.

Diversidade

A composição de um grupo relativamente a características como idade, género, origem, deficiência, formação ou percurso profissional. É uma medida de presença: responde à pergunta «quem está aqui?».

Não confundir: Diversidade não implica inclusão. Um grupo pode ser diverso na composição e continuar a ter uma cultura em que só um perfil consegue influenciar decisões.

Economia prateada

O conjunto da atividade económica gerada pelas pessoas com 50 ou mais anos, tanto no consumo como na produção. Também aparece como «silver economy».

Um estudo da Comissão Europeia estima que a despesa privada deste grupo representa uma contribuição equivalente a cerca de 32% do PIB da União Europeia e 38% do emprego.

Não confundir: Não se refere apenas a produtos de saúde ou de assistência. Abrange consumo cultural, tecnologia, viagens, formação e habitação — categorias em que este público é frequentemente invisível na comunicação das marcas.

Ver também:Gestão de talento sénior

Equidade

O ajuste das condições de acesso e de participação para que pessoas em situações diferentes tenham oportunidades comparáveis. Reconhece que o ponto de partida não é igual para todos.

Não confundir: Não é o mesmo que igualdade. Igualdade é dar o mesmo a todos; equidade é dar a cada um o que precisa para chegar ao mesmo ponto. Tratar situações desiguais de forma idêntica mantém a desigualdade.

ESG social

A dimensão «S» dos critérios ESG (ambiental, social e de governação): as práticas de uma organização relativamente a pessoas — trabalhadores, cadeia de valor, comunidades e consumidores.

No relato europeu, é a matéria das normas ESRS da série S, das quais a ESRS S1 trata da força de trabalho própria.

Não confundir: Não é responsabilidade social corporativa no sentido de mecenato ou voluntariado. ESG social é sobre indicadores da atividade principal da empresa, sujeitos a verificação — não sobre projetos paralelos.

Ver também:CSRD e ESRS S1

Etarismo (idadismo)

Preconceito, estereótipo ou discriminação com base na idade de uma pessoa. No trabalho, aparece sobretudo em decisões de recrutamento, acesso a formação, atribuição de projetos e progressão.

Em Portugal, 33,5% dos trabalhadores já sentiram discriminação por causa da idade, com a proporção mais alta no grupo dos 18 aos 35 anos, segundo a Fundação Francisco Manuel dos Santos e o CIS-Iscte.

Não confundir: Não é etarismo exigir competências que a função precisa. É etarismo presumir a ausência dessas competências a partir da idade, sem as verificar.

Ver também:Etarismo nas empresas

Inclusão

A experiência de poder participar, contribuir e influenciar decisões sem ter de esconder ou atenuar parte de quem se é. Mede-se junto das pessoas, não nas políticas.

Não confundir: Não se demonstra com o número de pessoas contratadas. Demonstra-se com dados sobre permanência, progressão e segurança para discordar.

Intergeracional

Relativo à interação entre pessoas de diferentes gerações. Numa organização, designa práticas que fazem circular conhecimento e experiência entre escalões etários — em ambos os sentidos.

Não confundir: Não é mentoria de sénior para júnior. A transferência mais valiosa é bidirecional, e tratá-la como unidirecional desperdiça metade do valor e reforça o estereótipo que se queria combater.

Longevidade

O prolongamento da vida e das suas fases ativas, com as consequências que isso tem para o trabalho, o rendimento, o consumo, a formação e a participação social.

Em Portugal, a esperança de vida à nascença é de 81,49 anos, e quem chega aos 65 tem em média mais 20 anos de vida, segundo as tábuas de mortalidade do INE.

Não confundir: Não é sinónimo de envelhecimento nem de reforma. Tratar longevidade apenas como assunto de saúde e assistência é o erro que deixa fora as dimensões de trabalho, competências e participação económica.

Ver também:IDE Futuro 50+

Pertença

A perceção de ser reconhecido e aceite num grupo tal como se é. É uma medida subjetiva, obtida perguntando às pessoas — e é frequentemente o melhor indicador antecipado de retenção.

No Inquérito de Pluralidade do Rock in Rio Lisboa 2026, 87,4% do público inquirido declarou ter-se sentido acolhido e respeitado.

Não confundir: Não se deduz da satisfação geral nem do clima organizacional. São perguntas diferentes, e uma organização pode ter boa satisfação média com pertença muito desigual entre grupos.

Ver também:Inquérito de Pluralidade

Pluralidade

A coexistência efetiva de perspetivas, origens e experiências diferentes num mesmo espaço, e o grau em que cada uma delas consegue ser expressa. É o termo que o IDE Social Hub usa quando o objeto de análise é um público — de um evento, de uma marca, de um território — e não uma força de trabalho.

Não confundir: É mais amplo do que diversidade: interessa-se menos pela contagem de quem está presente e mais pela possibilidade real de participação de cada grupo.

Viés inconsciente

Associação automática, adquirida por exposição cultural, que influencia decisões sem que a pessoa se dê conta. Em processos de seleção e avaliação, produz padrões que ninguém decidiu conscientemente.

Não confundir: Formação sobre viés inconsciente, por si só, não altera resultados de forma duradoura. O que altera é mudar o processo — anonimizar fases de triagem, definir critérios antes de ver candidatos, decidir em grupo com registo.

Quantas destas palavras estão nos vossos documentos de estratégia com significados diferentes em páginas diferentes?

Quer transformar estes conceitos em indicadores da sua organização?

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