IDE Social Hub

Longevidade, trabalho e futuro 50+

Etarismo nas empresas

A idade é hoje o critério mais apontado na Europa para desfavorecer um candidato. E é o único eixo de diversidade que, mais tarde ou mais cedo, toca em todas as pessoas.

A dimensão do problema

Os números

Etarismo nas empresas — em detalhe

O que é etarismo — e o que costuma ser confundido com ele

Etarismo (ou idadismo) é o preconceito, o estereótipo ou a discriminação com base na idade de uma pessoa. No contexto do trabalho, raramente aparece como uma decisão declarada. Aparece como um pressuposto que ninguém verbaliza: que quem tem mais de cinquenta anos não se adapta a tecnologia, que quem tem menos de trinta não tem maturidade para liderar, que um «perfil sénior» é caro por definição.

A distinção importante é esta: não é etarismo exigir competências que a função precisa. É etarismo presumir a ausência dessas competências a partir da data de nascimento, sem a verificar. A primeira é avaliação; a segunda é atalho.

É também o eixo de diversidade com uma característica que nenhum outro tem: todas as pessoas mudam de grupo ao longo da vida. Quem hoje decide sobre um candidato de 55 anos vai, um dia, ser candidato aos 55.

O etarismo em Portugal não aponta numa só direção

O estudo da Fundação Francisco Manuel dos Santos com o CIS-Iscte trouxe um resultado que desmonta a leitura habitual do tema. Entre os trabalhadores portugueses que já sentiram discriminação por causa da idade, a proporção é mais alta no grupo mais jovem: 42,3% entre os 18 e os 35 anos, 28,6% na meia-idade, e 25,6% entre os mais velhos.

Isto tem uma consequência prática para quem desenha programas de inclusão. Tratar a idade como sinónimo de «pessoas 50+» deixa metade do problema de fora — e faz com que os mais jovens não se reconheçam numa iniciativa que também é sobre eles.

Ao mesmo tempo, os efeitos são assimétricos. Sentir-se desvalorizado aos trinta é diferente de não conseguir voltar ao mercado aos sessenta. Em Portugal, quase seis em cada dez desempregados entre os 55 e os 74 anos estão sem trabalho há mais de um ano, contra menos de quatro em cada dez no total da população desempregada. A dificuldade não está distribuída por igual.

Onde é que o etarismo entra sem que ninguém o veja

Poucas organizações têm uma política que discrimine pela idade. Quase todas têm práticas que produzem esse resultado sem o declarar. Estes são os pontos onde acontece com mais frequência:

  • Anúncios que pedem «energia», «espírito jovem» ou «recém-licenciado» para funções que não exigem nenhuma dessas coisas.
  • Triagem automática que ordena candidaturas por ano de conclusão de estudos.
  • Formação oferecida por antiguidade em vez de por necessidade — quem está mais perto da reforma deixa de ser convidado.
  • Projetos novos atribuídos por associação implícita entre inovação e juventude.
  • Progressão que exige mobilidade geográfica sem alternativa, num escalão etário com mais responsabilidades de cuidado.
  • Linguagem interna que trata a idade como piada aceitável, num ambiente que não aceitaria a mesma piada sobre outra característica.

O que muda quando se mede

A maior parte das organizações não sabe se tem um problema de etarismo, porque nunca olhou para os seus próprios dados por escalão etário. E é aí que a conversa deixa de ser sobre valores e passa a ser sobre gestão.

Há quatro leituras que quase sempre revelam algo, e que qualquer organização consegue fazer com dados que já tem: a taxa de convite a entrevista por escalão etário, a distribuição do investimento em formação, a idade média de quem foi promovido nos últimos três anos, e a idade média de quem saiu.

Há ainda uma razão de calendário. A norma europeia de relato de sustentabilidade ESRS S1 obriga as empresas abrangidas a divulgar a distribuição da sua força de trabalho por faixas de idade — abaixo de 30, entre 30 e 50, e acima de 50 —, em número e em percentagem. A estrutura etária de uma empresa deixa de ser informação interna e passa a ser informação pública e auditável.

Como o IDE Social Hub trabalha este tema

O ponto de partida é sempre um diagnóstico com dados próprios da organização, não um relatório de tendências internacionais aplicado a Portugal. A partir daí, o trabalho divide-se entre corrigir o que os processos produzem sem intenção e capacitar quem decide.

A vertical IDE Futuro 50+ concentra a parte de longevidade: produzir evidências, identificar oportunidades, conectar atores e estruturar soluções. Não propomos certificação de organização age-friendly nem diagnóstico de prontidão etária.

Perguntas frequentes

Dúvidas comuns

O que é o etarismo no local de trabalho?
É o preconceito ou a discriminação com base na idade de uma pessoa dentro do contexto de trabalho. Manifesta-se em decisões de recrutamento, acesso a formação, atribuição de projetos, progressão de carreira e na linguagem usada no dia a dia. Distingue-se da avaliação legítima de competências: é etarismo presumir a ausência de uma competência a partir da idade, em vez de a verificar.
O etarismo afeta apenas as pessoas com mais de 50 anos?
Não. Segundo o estudo da Fundação Francisco Manuel dos Santos com o CIS-Iscte (2024), entre os trabalhadores portugueses que sentiram discriminação por causa da idade a proporção é mais alta no grupo dos 18 aos 35 anos (42,3%) do que entre os mais velhos (25,6%). Os efeitos, no entanto, são assimétricos: a dificuldade de regresso ao mercado de trabalho concentra-se nos escalões mais velhos.
Quantas pessoas em Portugal já sentiram discriminação por causa da idade?
33,5% dos trabalhadores, numa amostra representativa de mil pessoas, segundo o estudo «Compreender o Idadismo no Local de Trabalho» da Fundação Francisco Manuel dos Santos com o CIS-Iscte, publicado em 2024.
Como é que uma empresa pode saber se tem um problema de etarismo?
Olhando para quatro números que já tem: a taxa de convite a entrevista por escalão etário, a distribuição do investimento em formação por idade, a idade média de quem foi promovido nos últimos três anos e a idade média de quem saiu da organização. Um desvio consistente em qualquer um deles é um indício que merece investigação.
Porque é que este tema ganhou urgência agora?
Por duas razões que se somam. A demografia: Portugal tem a segunda maior proporção de população com 65 ou mais anos da União Europeia. E o relato obrigatório: a norma ESRS S1 obriga as empresas abrangidas pela diretiva europeia de sustentabilidade a publicar a distribuição etária da sua força de trabalho, o que torna a estrutura de idades uma informação pública e comparável.

Se um auditor lesse os vossos últimos cem processos de recrutamento, que padrão etário encontraria?

A idade é o critério mais apontado na Europa para desfavorecer um candidato, e a norma ESRS S1 vai obrigar a publicar a distribuição etária da força de trabalho.Eurobarómetro Especial 535, 2023 · ESRS S1, Regulamento Delegado (UE) 2023/2772.

A sua organização consegue responder a estas perguntas com dados?

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