O paradoxo português
Portugal tem uma taxa de emprego entre os 55 e os 64 anos acima da média europeia, e mais de um em cada cinco trabalhadores está nesse escalão. Do ponto de vista das estatísticas agregadas, o país parece estar bem neste tema.
O problema aparece quando se separa quem está dentro de quem está fora. Entre as pessoas desempregadas de 55 a 74 anos, 58,8% estão sem trabalho há mais de um ano, contra 36,8% no total da população desempregada. Ou seja: quem tem emprego tende a mantê-lo, e quem o perde tem uma dificuldade desproporcionada em voltar.
Isto muda o diagnóstico de forma importante. Em Portugal, a gestão de talento sénior é menos um problema de retenção do que um problema de porta de entrada — de recrutamento, de triagem e dos pressupostos que orientam quem seleciona.