IDE Social Hub

Longevidade, trabalho e futuro 50+

Empresas age-friendly

Uma organização age-friendly não é a que trata bem quem já cá está há muitos anos. É a que consegue contratar, desenvolver e manter pessoas em qualquer fase da vida ativa.

A dimensão do problema

Os números

  • 45,8%

    da população portuguesa tem 50 ou mais anos — soma dos escalões dos 50 aos 64 com a população de 65 e mais anos.

    Fonte: Cálculo do IDE Social Hub sobre dados do Eurostat, 2025

  • 24,3%

    tem 65 ou mais anos. É a segunda maior proporção da União Europeia, cuja média é de 22,0%.

    Fonte: Eurostat, 2025

  • 6,8 M → 4,2 M

    é a projeção da população portuguesa em idade ativa entre 2024 e 2100. O rácio de dependência de idosos passa de 39 para 73 por cada cem pessoas em idade ativa.

    Fonte: INE, Projeções de População Residente 2025-2100

Empresas age-friendly — em detalhe

Age-friendly não é um benefício. É desenho organizacional.

A expressão «age-friendly» costuma ser traduzida como «amiga da idade», e essa tradução engana. Sugere simpatia, quando o que está em causa é arquitetura: processos, horários, ferramentas e critérios de decisão que funcionam para uma força de trabalho com quarenta anos de amplitude etária, em vez de estarem calibrados para um perfil médio que já não existe.

Uma organização é age-friendly quando consegue fazer quatro coisas sem esforço extraordinário: atrair candidatos de qualquer escalão etário, desenvolver competências em qualquer fase da carreira, transferir conhecimento entre gerações sem depender de boa vontade individual, e permitir saídas graduais em vez de cortes abruptos.

Nada disto é uma política de bem-estar. É a diferença entre ter e não ter pessoas para trabalhar dentro de dez anos.

O argumento demográfico, sem retórica

Portugal tem a segunda maior proporção de população com 65 ou mais anos da União Europeia. Quase metade do país tem 50 ou mais anos. E a projeção do INE aponta para uma redução da população em idade ativa de 6,8 milhões para 4,2 milhões ao longo deste século, com o rácio de dependência de idosos a subir de 39 para 73 por cada cem pessoas em idade ativa.

Uma organização que hoje considera que o talento 50+ não é o seu público está a assumir que vai recrutar, nas próximas décadas, num universo que encolhe todos os anos. É uma aposta com um resultado conhecido.

Há também um lado de mercado que raramente entra na conversa. O estudo da Comissão Europeia sobre a economia prateada estima que a despesa privada das pessoas com 50 ou mais anos na União Europeia representa uma contribuição equivalente a cerca de 32% do PIB europeu e 38% do emprego. Empresas cuja comunicação exclui esse grupo estão a excluir-se de parte do seu próprio mercado.

As práticas que efetivamente distinguem uma organização

Há muitas listas de boas práticas. Estas são as que, na experiência do IDE Social Hub, mudam resultados observáveis em vez de mudarem apenas o discurso:

  • Anúncios de emprego sem marcadores de idade encapotados, e sem exigência de anos de experiência quando o que interessa é a competência.
  • Triagem que não ordena nem filtra por ano de nascimento ou por ano de conclusão de estudos.
  • Orçamento de formação distribuído por necessidade, com verificação explícita de que não se concentra nos escalões mais jovens.
  • Pares intergeracionais formais, com tempo alocado — nos dois sentidos, porque a transferência de conhecimento não é unidirecional.
  • Ergonomia e flexibilidade de horário tratadas como desenho universal e não como exceção concedida caso a caso.
  • Transição para a reforma desenhada como processo com etapas, incluindo a possibilidade de tempo parcial e de funções de mentoria.
  • Indicadores etários revistos com a mesma regularidade dos indicadores de género.

A norma internacional que enquadra o tema

Existe uma referência normativa internacional para isto: a ISO 25550:2022, «Ageing societies — General requirements and guidelines for an age-inclusive workforce». Aplica-se a organizações de qualquer tipo e dimensão e integra um conjunto de normas dedicadas às sociedades em envelhecimento.

Existem também esquemas de certificação de empregador age-friendly, como o programa Certified Age-Friendly Employer do Age-Friendly Institute, com centenas de empregadores certificados em vários países e expansão recente na Europa.

A utilidade prática de uma norma, aqui, não é o selo. É ter uma lista verificável de requisitos que substitui a discussão sobre intenções por uma avaliação de conformidade.

Perguntas frequentes

Dúvidas comuns

O que é uma empresa age-friendly?
É uma organização cujos processos de recrutamento, desenvolvimento, progressão e saída funcionam para pessoas em qualquer fase da vida ativa, e não apenas para um perfil etário médio. Não é um benefício concedido a trabalhadores mais velhos: é desenho organizacional que remove barreiras de idade em ambos os extremos.
Existe uma norma internacional sobre este tema?
Sim. A ISO 25550:2022, «Ageing societies — General requirements and guidelines for an age-inclusive workforce», publicada em 2022, define requisitos e orientações para uma força de trabalho inclusiva na idade e aplica-se a organizações de qualquer tipo e dimensão.
É possível certificar uma empresa como age-friendly?
Existem esquemas de certificação de empregador, como o Certified Age-Friendly Employer do Age-Friendly Institute, que conta com centenas de empregadores certificados em vários países. O valor de uma certificação depende do rigor da avaliação: sem indicadores próprios medidos antes e depois, um selo não altera práticas.
Por onde começa uma organização que quer avançar neste tema?
Por olhar para os seus próprios dados por escalão etário — candidaturas, convites a entrevista, acesso a formação, promoções e saídas. Sem essa linha de base, qualquer programa fica sem forma de demonstrar que mudou alguma coisa.

Daqui a dez anos, quantas das pessoas que decidem na sua empresa terão mais de 50 anos? E quantas terão sido contratadas depois dos 50?

A projeção do INE aponta para uma redução da população portuguesa em idade ativa de 6,8 para 4,2 milhões ao longo deste século.INE, Projeções de População Residente 2025-2100.

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